Foi o Cão
Faz tempo que eu não troco umas idéias com Deus, já que ultimamente tenho que conversar com alguém bem mais complicado, EU.
Mas tenho muita coisa guardada pra publicar, hoje vou falar de culpa.
O ser humano em geral não gosta muito de assumir responsabilidades, o modo mais fácil é jogar a culpa nos outros, ninguém nunca chega atrasado é sempre o motorista do ônibus que é lerdo.
Mas na pior das situações está à culpa de fundo religioso, a responsabilidade dos atos é sempre atribuída a um ser superior, se algo foi completado com sucesso foi Deus não você, se você fez merda aí foi culpa do Diabo não sua.
Vejo isso principalmente na onda dos protestantes, mas não excluindo católicos mais antigos ou mais devotos e outros de algumas religiões mais severas.
Não estou questionando o agradecimento, quando concluímos algo, quando algo de bom chega a nós, devemos sim agradecer seja a Deus, messias, profeta, anjo, santo, universo ou pelo seu computador que não travou durante aquele trabalho para o dia seguinte.
Mas o que eu vejo muito é “você não vez nada quem fez foi Deus”, diminuindo a capacidade individual das pessoas, se você não fizer sua parte, seu esforço, não vai existir Deus no universo que faça por você.
Mas ainda mais perigoso do que atribuir suas glorias é passar a culpa por seus atos, assim ninguém comete mais erros, basta dizer que foi tentado pelo Demônio:
“Eu não matei, foi o cão que fez eu fazer isso”
“Eu não queria roubar, mas o tinhoso me tentou”
Acho que assim é mais fácil mandar o vermelhinho para a cadeia, já que os homens são tão bonzinhos sem ele.
Sinceramente acho que essa brincadeira de livre-arbítrio é muito poder nas mãos de crianças, mas é ele também que permite que algumas delas se tornem adultas não?
“Papo com Deus não é a expressão da legitima verdade, trata-se apenas da minha verdade para o exato momento em que o texto foi escrito, Fique em Paz”
imagem: http://realmenteeu.blogspot.com


